Quem sou eu

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Formação - parte 1

Não tenho a ousadia de chamar de “formação para músicos”, (quem sou eu?), apenas gostaria de compartilhar com você, querido músico, alguns ensinamentos, experiências e podas que já sofri em minha caminhada enquanto ministro de música. Contém nessa apostila um resumo de tudo o que li, que recebi de informação e que experimentei, portanto, nada é meu do que está escrito, porque até o que é meu foi Deus quem me deu junto com meu ministério. Aqui tem muito do outono do meu ministério, onde muitas folhas tiveram que cair( e ainda caem), para florescer em uma linda primavera. Espero que aproveite e que te ajude a aperfeiçoar o seu ministério. Deus Abençoe.
"A liturgia, que é a alegria do homem e que revela a glória do Senhor, não pode encher um coração que não foi primeiro humilhado e esvaziado pelo amor."
A participação do músico
Participar quer dizer “tomar parte”,ser participante. Então, participação na liturgia significa tomar parte na Liturgia como um todo, naquilo que ela realmente é, não apenas em sua expressão significativa ou nos ritos. O concílio vaticano II promoveu a reforma de toda a expressão da liturgia, tornando-a mais compreensível, para que o povo de Deus pudesse participar de maneira Frutuosa ou Eficaz da sagrada liturgia. Para que possa ser eficaz, isto é, real, este serviço de salvação e de glorificação de Deus, a participação deve ser consciente, ativa e plena. Para que seja consciente, é necessária a formação litúrgica.Os cristãos devem saber o que celebram. A segunda condição para que a celebração cristã seja eficaz, produza frutos de conversão e de boas obras é a participação. No Brasil, incorreu-se num grave engano nos primeiros anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II. Reduziu-se a participação à participação falada, à participação oral. Até hoje temos falação demais na liturgia. Ora, a gente participa ativamente, pelo ouvido, na escuta da Palavra de Deus, acompanhando, em silêncio, as orações presidenciais, ouvindo um canto a mais vozes.
Finalmente, o Concílio pede que a participação seja plena.Isso significa “de corpo e alma”,com todo o seu ser e agir, com tudo que somos e temos. Particularmente no ministério de música devemos tomar muito cuidado pois, aproveitamos os momentos em que não estamos tocando ou cantando para conversar, sair da Igreja, mandar mensagem pelo celular,( parece brincadeira mas acontece) quando na realidade ser ministro de música é participar da liturgia não só quando tocamos um acorde no violão, aliás, o silêncio também faz parte da música. Segundo Adélia Prado, uma das mais renomadas escritoras brasileiras, em um encontro sobre canto e liturgia realizado em Aparecida, defendendo com esmero as celebrações litúrgicas com beleza, “tem algumas celebrações que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar pra rezar”, frente a tantas coisas que empobrecem o momento celebrativo . “ O canto barulhento, os instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa”. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição.” A palavra foi inventada para ser calada. É só depois que ela se cala que a gente ouve”. O que Adélia nos sinaliza é que parece haver um horror ao vazio, pois ninguém para um minuto sequer dentro da celebração. Continua: “não há ninguém que se acerque com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo”. Como oferecer para esse povo uma músicas sem unção, orações fabricadas? Barateou-se o espaço do sagrado e da liturgia “ com letras feias, com musicas feias, comportamentos vulgares na Igreja. Uma liturgia é bela quando carrega em si harmonia e unidade, traduzidas nos gestos e nos símbolos, nas palavras e no silêncio, no canto e na música que tocam o coração. Uma liturgia é bela quando desperta em nós e nos favorece o desejo profundo do encontro com Deus na pessoa de Jesus. A música e o canto litúrgico, como elementos integrantes da celebração, consistem, portanto, meios privilegiados de oração e participação, devendo ter caráter sagrado, por estarem a serviço do divino mistério celebrado na liturgia. Um canto será tanto mais litúrgico e evangelizador quanto mais fiel se mantiver à sua natureza. A música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver unida à ação litúrgica.
A música é bela quando exerce sua função ministerial, que é dar beleza à celebração,solenizar a liturgia e unir numa só voz o coração da assembléia. Diante do desaparecimento da beleza, decoro (decência) e elegância estética no culto cristão, diante  da perda da sensibilidade do sagrado e da ausência do espírito de adoração e respeito, ficam então algumas ponderações:
O canto deve ser ungido e orante e buscar nas fontes bíblicas e litúrgicas sua inspiração. Falta muita qualidade musical e poética aos nossos cantos.
Não bastam o louvor externo e formal, a observância de meras rubricas, os gestos e ritos bem executados e até bonitos, porém mecânicos, e celebração apenas conforme à normas litúrgicas: se falta espiritualidade.
A liturgia nos precede e nos ultrapassa, é maior do que nós e,portanto, mais obra de Deus que nossa.

Um comentário:

Irmão dos Ventos disse...

Muito bom Alan, gostei muito!